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Selfies e videoconferências aumentaram a procura por cirurgias faciais?

 

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A forma como as pessoas enxergam a própria imagem mudou significativamente nos últimos anos. A popularização das redes sociais, o hábito de registrar selfies diariamente e a consolidação das videoconferências na rotina profissional fizeram com que milhões de pessoas passassem mais tempo observando o próprio rosto em telas. Esse novo comportamento tem refletido diretamente na busca por procedimentos estéticos e cirurgias voltados ao rejuvenescimento e à definição do perfil da face e do pescoço, promovendo maior harmonia facial.

Segundo o cirurgião bucomaxilofacial e implantodontista Bruno Cantharino, a exposição constante à própria imagem contribuiu para que muitos pacientes passassem a notar detalhes que antes não despertavam atenção.

“Hoje as pessoas se veem em diferentes ângulos ao longo do dia. Seja em reuniões virtuais, seja nas redes sociais, existe uma exposição muito maior da imagem facial. Isso faz com que algumas características, como o formato do queixo, a definição do contorno facial, o contorno do pescoço ou o excesso de pele nas pálpebras, sejam percebidas com mais frequência e levem o paciente a buscar orientação especializada”, explica.

Entre os procedimentos mais procurados está a blefaroplastia, cirurgia realizada para corrigir o excesso de pele e bolsas ao redor dos olhos, proporcionando um aspecto mais rejuvenescido. Também ganha destaque a mentoplastia, indicada para reposicionar ou remodelar o queixo, promovendo mais equilíbrio entre os traços faciais. Além de outras cirurgias voltadas ao contorno da face e do pescoço.

O Facelift é indicado para reposicionar os tecidos faciais e suavizar os sinais do envelhecimento, enquanto o Deep Plane é a técnica que atua em planos mais profundos da face para proporcionar resultados mais naturais e duradouros. Já a cervicoplastia é o procedimento que melhora o contorno do pescoço ao tratar a flacidez e redefinir o ângulo entre o rosto e a região cervical. A indicação depende da anatomia e das necessidades de cada paciente.

De acordo com o cirurgião, embora a tecnologia tenha ampliado a preocupação com a aparência, ela também trouxe distorções que precisam ser consideradas durante a avaliação médica.

“As câmeras dos celulares podem alterar proporções faciais dependendo da distância, da lente utilizada e da iluminação. Por isso, nem tudo o que o paciente vê em uma fotografia corresponde exatamente à realidade. É fundamental que a decisão por uma cirurgia seja baseada em uma análise clínica criteriosa, e não apenas em imagens ou filtros digitais”, ressalta Bruno Cantharino.

O especialista observa que a busca por procedimentos faciais não está necessariamente ligada à vaidade, mas também ao desejo de melhorar aspectos que geram desconforto e impactam a autoconfiança.

“Quando existe uma indicação adequada, a cirurgia pode proporcionar benefícios importantes para a autoestima e o bem-estar. O objetivo não é transformar completamente a aparência de alguém, mas valorizar características individuais e alcançar resultados naturais e harmoniosos e com melhor definição do perfil facial”, afirma.

Apesar do aumento do interesse por procedimentos faciais, Bruno destaca que o alinhamento de expectativas é uma das etapas mais importantes do processo. Segundo ele, cabe ao profissional esclarecer o que é possível alcançar e identificar situações em que a cirurgia não representa a melhor solução.

“Cada rosto possui características únicas. O papel do cirurgião é avaliar cuidadosamente a anatomia facial e do pescoço, ouvir as expectativas do paciente e indicar o tratamento mais adequado. O sucesso de uma cirurgia depende não apenas da técnica, mas também de uma compreensão realista dos resultados que podem ser obtidos”, pontua.

Para o especialista, o crescimento da procura por procedimentos voltados à definição da face e do pescoço reflete uma mudança cultural impulsionada pela era digital. No entanto, ele reforça que a decisão por qualquer procedimento deve ser tomada com responsabilidade, após avaliação individualizada e com foco na saúde, na segurança e na qualidade de vida do paciente.

“É natural que as pessoas queiram se sentir bem com a própria imagem. O mais importante é que essa busca seja conduzida de forma consciente, com orientação profissional e expectativas compatíveis com a realidade”, conclui Bruno Cantharino.

Sobre Bruno Cantharino

É especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial e mestre e especialista em implantodontia. Possui pós-graduação em cirurgia ortognática, artroscopia e cirurgia da ATM. É membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, diretor da Clínica Encanthar e sócio-diretor da Avance Escola de Odontologia.

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Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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