Líderes da UE sob pressão de Zelenskyy para reforçar as defesas aéreas da Ucrânia

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Líderes da UE sob pressão de Zelenskyy para reforçar as defesas aéreas da Ucrânia

Artigo publicado originalmente em inglês

Os líderes da UE debatem como intensificar os esforços para proteger os céus da Ucrânia dos ataques aéreos russos, depois de o Presidente ucraniano ter criticado a “fraca vontade política” dos aliados ocidentais. O tema é central na cimeira da UE, quarta-feira, em Bruxelas.

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O chanceler alemão, Olaf Scholz, e o primeiro-ministro interino dos Países Baixos, Mark Rutte, apelaram a medidas urgentes para fornecer ao governo de Kiev os sistemas de defesa aérea para se defender da barragem de mísseis lançados pela Rússia.

Ambos os líderes sugeriram que os países da União Europeia devem analisar atentamente os seus armazenamentos militares e considerar o envio de sistemas de defesa aérea.

“Tendo em conta todos os terríveis ataques que estão a ser feitos a partir do ar, podemos ver que é necessário fazer alguma coisa”, explicou Scholz.

“Todos têm de olhar para os seus stocks para ver se outros sistemas de defesa aérea, em particular o Patriots, podem ser dispensados, porque são agora tão urgentemente necessários nesta situação específica”, acrescentou o chanceler alemão.

Rutte disse que a UE deveria considerar atingir o “limiar máximo de dor” na doação à Ucrânia, antes de “correr para outras partes do mundo” para obter os sofisticados sistemas anti-míssil.

No projeto de conclusões da cimeira, a que a Euronews teve acesso, os líderes sublinham “a necessidade de fornecer urgentemente defesa aérea à Ucrânia e de acelerar e intensificar a prestação de toda a assistência militar necessária”.

Concorrência com apoio a Israel?

Zelenskyy censurou os aliados ocidentais, no fim de semana, por se recusarem a fornecer à Ucrânia a “máxima proteção” contra os ataques aéreos russos, utilizando as suas próprias aeronaves para intercetar diretamente os mísseis, como fizeram nos céus de Israel.

A França, o Reino Unido e os EUA auxiliaram Israel, no sábado, que foi alvo de cerca de 185 drones e 150 mísseis balísticos e de cruzeiro disparados do Irão.

A Ucrânia dirigiu-se aos líderes da UE por videoconferência, na quarta-feira à noite, dizendo: “Aqui na Ucrânia, na nossa parte da Europa, infelizmente não temos o nível de defesa que todos vimos no Médio Oriente, há alguns dias”.

“O nosso céu ucraniano e o céu dos nossos vizinhos merecem a mesma segurança”, acrescentou

Questionado pela Euronews sobre esta acusação de duplicidade de critérios, Rutte disse: “Não vamos tentar misturar a Ucrânia com Israel. A Ucrânia precisa de toda a defesa aérea e de toda a capacidade de projeção que conseguirmos obter. Compreendo perfeitamente o que Zelenskyy disse, mas não vou comentar isso”.

Apesar de os três Estados bálticos apoiarem a iniciativa, a NATO tem rejeitado repetidamente os pedidos de Kiev para a criação de uma zona de exclusão aérea sobre partes da Ucrânia, por receio de ser arrastada para um conflito direto com a Rússia, uma potência nuclear.

Os aliados forneceram a Kiev sofisticados sistemas de defesa antimíssil – incluindo radares, tecnologia de comando e controlo e interceptores – capazes de impedir os ataques russos, mas estes foram rapidamente esgotados pelo ataque da Rússia. No sábado, a Alemanha anunciou que iria enviar mais um sistema de defesa aérea Patriot para a Ucrânia.

Manter a Ucrânia no centro das atenções

Os apelos surgiram antes de uma cimeira que foi, inicialmente, convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, para debater economia e competitividade da UE, mas que acabou por ter um jantar inicial dedidcado à política externa em contexto de exacerbamento de conflitos.

“Preocupa-me que estejamos a perder o foco na Ucrânia”, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, antes da reunião, criticando o bloco pela lenta implementação das prometidas entregas de armas a Kiev.

“Temos de celebrar o momento da entrega do nosso armamento e não o momento da tomada de decisão. Porque, por vezes, o intervalo de tempo entre a tomada de decisão e a implementação demora alguns meses ou até mais”, acrescentou.

A UE não conseguiu atingir o seu objetivo de fornecer à Ucrânia um milhão de munições no prazo de um ano, o que levou a Chéquia a lançar a sua própria iniciativa para colmatar a falta de munições da Ucrânia, fornecendo 800 mil munições. Vários Estados-membros, incluindoPortugal, estão a contribuir também com dinheiro.

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A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que o “formato” da iniciativa checa poderia ser replicado para os sistemas de defesa aérea.

Os líderes esperam também dar um novo impulso aos planos para utilizar as receitas inesperadas dos ativos russos congelados na UE para ajudar a armar e reconstruir a Ucrânia.

Fonte: clique aqui.

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