Se não for Ursula von der Leyen, então quem será? Sete candidatos ao lugar cimeiro da Comissão

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Se não for Ursula von der Leyen, então quem será? Sete candidatos ao lugar cimeiro da Comissão

O cargo de presidente da Comissão Europeia será submetido ao voto do Parlamento Europeu após as eleições. Quais são as candidaturas alternativas a Ursula von der Leyen?

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A recondução de Ursula von der Leyen na chefia do executivo da UE parecia uma questão óbvia, mas a sua liderança perdeu o brilho na sequência da anulação da nomeação de Markus Pieper como enviado da Comissão Europeia para as pequenas empresas, um nome que tinha sido escolhido por von der Leyen. 

A gestão, vista como um pouco errática, da crise no Médio Oriente penaliza igualmente a candidatura de Ursula von der Leyen.

A possibilidade de não conseguir a aprovação dos líderes da UE e dos novos deputados europeus no próximo verão tornou-se uma perspetiva mais realista.

O principal argumento de Ursula von der Leyen para promover a sua candidatura, tem sido a promessa de continuidade em relação à atual Comissão e a falta de concorrentes para o lugar.

No entanto, em Bruxelas já circulam alguns nomes alternativos, embora outros candidatos possam surgir mais tarde.

Mario Draghi, o feiticeiro

O discurso de Draghi, a 16 de abril, no fórum social de alto nível de La Hulpe foi saudado pela imprensa italiana como uma candidatura pouco disfarçada ao cargo máximo. 

Mesmo em Bruxelas, o antigo primeiro-ministro italiano tem a reputação de fazer as coisas acontecerem, como por magia.

Prós: Provavelmente o político europeu mais conhecido, com uma aura de infalibilidade, e também considerado acima da política partidária.

Contras: O risco de ter alguém “demasiado bom” no cargo, ofuscando todos os outros – uma das razões que levaram os partidos italianos a desistir do seu mandato.

Probabilidades: É pouco provável que os líderes da UE e os eurodeputados rejeitem Draghi e até Viktor Orban disse aos jornalistas em Bruxelas que “gosta” dele.

Kristalina Georgieva,  um perfil económico da Europa de Leste

O presidente cessante do Conselho Europeu, Charles Michel – que será um mediador fundamental nas negociações para os próximos cargos de topo da UE – afirmou, antes da cimeira especial de abril da UE, que a próxima Comissão será “económica”.

Se isto for verdade, quem melhor do que a atual directora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, para o cargo de topo?

O nome da antiga comissária europeia para o orçamento é um nome sempre presente quando se discutem os cargos-chave da UE – e já circulava em 2019 quando von der Leyen acabou por ser nomeada.

Prós: Poderá ser a tão esperada primeira chefe da Comissão da Europa de Leste desde o “Grande Alargamento”.

Contras: Acabou de ser reconduzida no cargo de directora do FMI e, em comparação com outros candidatos, tem menos ligações aos principais decisores em Bruxelas.

Probabilidades: Forte junto do Conselho pelo seu apoio aos países de Leste, sólida a instável no Parlamento.

Andrej Plenković, o outsider

Se a sua candidata oficial, von der Leyen, cair, o Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, tem outras cordas no seu arco – incluindo Plenković.

O primeiro-ministro croata lidera o governo desde 2016 e pode ser tentado a seguir uma carreira mais internacional, especialmente se o seu partido for derrotado nas eleições nacionais marcadas para esta semana.

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Prós: Experiência de longa data como chefe de governo, provém do mais recente Estado-Membro da UE – um sinal de boa vontade para os países candidatos em lista de espera.

Contras: Perfil mais “político” e menos orientado para a elaboração técnica das políticas, um aspeto fundamental do trabalho da Comissão Europeia.

Probabilidades: A amizade com muitos outros dirigentes da UE poderá facilitar a sua nomeação, mas a confirmação dependerá da capacidade de formação de coligações no Parlamento.

Roberta Metsola, a Aprendiz

Quando a revista Time incluiu Metsola entre os 100 líderes emergentes que moldarão o mundo em 2023, a própria von der Leyen escreveu o elogio que a acompanhava.

“Nunca cedas ao cinismo. Podes ser o motor da mudança”, aconselhou a atual chefe da Comissão Europeia à jovem política que poderá agora suceder à sua mentora.

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Na sua curta carreira internacional, Metsola tem vindo a polir as credenciais do PPE, tendo sido a primeira política da UE a encontrar-se com Zelenskyy em Kiev, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

No entanto, não é a primeira candidata: o seu nome surgiria provavelmente se não houvesse acordo sobre a recondução de von der Leyen e se os candidatos mais prováveis se afastassem.

Prós: Carisma e juventude, além de fortes credenciais pró-europeias.

Contras: Falta de experiência internacional, nenhum cargo anterior em qualquer governo – um problema para os líderes da UE.

Probabilidades: Mais fácil no Parlamento como presidente cessante, mais difícil no Conselho Europeu.

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Kyriakos Mitsotakis, o Ás

O primeiro-ministro grego pode ser mais um trunfo para o PPE se as coisas se complicarem à volta da mesa das negociações. Numa publicação recente nas redes sociais, o líder do PPE, Manfred Weber, disse que Mitsotakis “representa a liderança do PPE no seu melhor” – palavras que provavelmente não diria a propósito de von der Leyen.

Mitsotakis é muito apreciado pelos outros líderes da UE e pode ser uma boa escolha para presidir ao Conselho Europeu, caso o PPE não consiga ocupar o lugar na Comissão.

No recente evento Euronews ON AIR, o dirigente grego destacou três grandes objetivos para o próximo mandato da UE: autonomia estratégica, competitividade e segurança alimentar – parecendo preparado para um discurso sobre o estado da União.

Prós: Experiência anterior como líder da UE. Fala bem inglês e francês, e alemão suficiente para se dirigir ao plenário no discurso anual sobre o Estado da União.

Contras: O cheiro a escândalo interno pode fazer dele uma escolha arriscada.

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Probabilidades: Forte no Conselho, contando com a maioria política no Parlamento como candidato do PPE.

Christine Lagarde, a banqueira

A atual governadora do Banco Central Europeu (BCE) seria outra escolha sólida se a profecia de Michel sobre uma Comissão “económica” se revelar correta – especialmente se as negociações caírem num impasse.

Em 2019, ganhou o leme do BCE graças a um impulso de Emmanuel Macron e pode muito bem ser a escolha do presidente francês mais uma vez.

Prós: Bons antecedentes onde quer que tenha estado, desde o governo francês ao FMI e ao BCE.

Contras: Uma escolha que poderia parecer burocrática ou desligada dos cidadãos, demasiado próxima de Macron (para o bem e para o mal).

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Probabilidades: Se o seu nome surgir na mesa dos líderes, é um sinal claro de que estão a ficar sem ideias e que ela poderá ser uma das últimas boas escolhas disponíveis. Mas será que consegue obter o apoio de um Parlamento de direita?

Klaus Iohannis, o estratega

E se Michel estiver errado e a Europa optar por outra Comissão “geopolítica”? Nesse caso, o nome do Presidente romeno poderia surgir como um coelho da cartola.

Iohannis é também candidato a Secretário-Geral da NATO – embora o Primeiro-Ministro holandês Mark Rutte pareça estar em vantagem nessa corrida – pelo que tem uma visão pronta para a defesa da Europa que pode ser reciclada para a próxima Comissão.

Prós: Candidato de um país de Leste e do PPE.

Contras: Depende do resultado da corrida à NATO.

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Probabilidades: Relativamente bem visto no Conselho Europeu, mas precisa de uma maioria do PPE no Parlamento.

Fonte: clique aqui.

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