Meus nobres, pensantes e calejados leitores de Simões Filho, a figura de Al Pacino no filme O Advogado do Diabo deixou uma grande reflexão.
Na vida, muitas vezes enxergamos apenas dois lados: o preto e o branco. Existe, porém, um terceiro elemento: o jornalismo, o cinza das sombras, que lança as letras pretas sobre o papel branco para contar histórias que, muitas vezes, muitos prefeririam que jamais fossem contadas.
Fica uma pergunta: vocês sabem o que significa ser o “advogado do diabo”? Significa defender uma causa — seja a própria ou a de terceiros — mesmo que ela não esteja alinhada com a sua ideologia ou com aquilo que se acredita ser o melhor para o conjunto da sociedade.
Mas chega de filosofar. Vamos abrir a semana, que promete pegar ainda mais fogo em Simões Filho com a crise entre o Legislativo e o Executivo.
Segundo a interpretação apresentada nesta análise, a grande crise teve origem quando o então presidente da Câmara Municipal, vereador Orlando de Amadeu, promoveu alterações no Regimento Interno, retirando as normas referentes à formação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), destinadas à investigação de atos do governo municipal. Além disso, não teria incorporado ao Regimento o Decreto Legislativo de 2018, que antecipou para junho, antes do recesso parlamentar, a eleição da Mesa Diretora.
Na avaliação de alguns especialistas em Direito, esse pequeno lapso de constitucionalidade teria provocado toda a crise. A razão seria simples: Orlando de Amadeu, Eri Costa, Del do Cristo Rei e Itus Ramos foram eleitos em junho. Assim, segundo esse entendimento jurídico, essas eleições também poderiam ser consideradas ilegais.
Ainda segundo essa interpretação, ao alterar o Regimento Interno, Orlando de Amadeu teria retirado da Câmara Municipal o instrumento jurídico necessário para instituir Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), enfraquecendo o papel fiscalizador do Legislativo e transformando-o, na visão de seus críticos, em um simples “puxadinho” do Executivo — ou, no ditado popular, uma verdadeira “Câmara do Amém”.
Agora, com todo o bafafá instalado, surgem onze vereadores defendendo a reeleição de Itus Ramos para a presidência da Câmara, enquanto, ao mesmo tempo, reafirmam apoio político ao prefeito Del do Cristo Rei.
Quem estaria enfrentando um grande problema seria o ex-prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha. Isso porque suas contas referentes ao exercício de 2024 estariam prestes a chegar ao Legislativo para apreciação. Caso venham a ser rejeitadas — hipótese levantada nesta análise — poderão produzir consequências previstas na legislação eleitoral, dependendo dos requisitos legais e das decisões dos órgãos competentes.
Paralelamente, também circulam informações de que pelo menos nove vereadores já teriam sinalizado que não pretendem acompanhar a deputada estadual Kátia Oliveira na campanha eleitoral de 2026. Se esse movimento realmente se confirmar nas urnas, poderá representar um desafio para seu projeto de reeleição, tanto em Simões Filho quanto em outras regiões onde busca ampliar sua votação.
Diante de todos esses acontecimentos, meus nobres pensantes, esta crise pode representar muito mais do que aparenta. Na visão deste cronista, ela funciona como uma grande cortina de fumaça, desviando a atenção daquilo que realmente importa: as letras pretas sobre o papel branco, registrando fatos que muitos prefeririam não ver publicados.
Se essa leitura estiver correta, poderemos estar assistindo ao encerramento de um ciclo político em Simões Filho. A chamada “onda azul”, que durante anos dominou o cenário político local, pode estar perdendo força e correndo o risco de transformar-se apenas em uma marola antes mesmo de alcançar a praia.
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Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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