Por Alberto de Avellar – Uma indicação protocolada na 8ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Simões Filho, a ser realizada em 28 de abril de 2026, pode representar o início de um novo capítulo de fiscalização sobre o destino dos recursos dos empréstimos do FINISA (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento) contratados durante a gestão do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha).
A Indicação nº 057/2026, de autoria dos vereadores Carlos Neto, Adailton Andrade e Genivaldo Ferreira Mota Lima, colocada para leitura, discussão e votação única, propõe a criação de um Comitê Fiscalizador para averiguar os processos de pagamento vinculados aos empréstimos FINISA oriundos do Poder Executivo.
E não se trata de uma indicação qualquer.
Segundo o texto da justificativa, a proposta nasce diante das “recentes denúncias envolvendo obras vinculadas aos empréstimos”, e pede uma estrutura robusta de fiscalização com participação de:
* Ministério Público da Bahia;
* Tribunal de Contas;
* Comissão de Obras da Câmara;
* Comissão de Finanças da Câmara;
* Comissão de Justiça;
* Fiscais da Prefeitura que atestaram pagamentos;
* Secretaria de Infraestrutura.
“Os pagamentos condizem com a execução das obras?”
É exatamente essa pergunta que a indicação coloca no centro do debate político.
No documento, os autores afirmam que o comitê teria a missão de promover fiscalizações in loco, produzir relatórios de visita e verificar se os pagamentos realizados correspondem efetivamente às obras executadas.
Traduzindo do juridiquês:
A Câmara está levantando suspeitas sobre possível incompatibilidade entre pagamentos feitos e serviços entregues.
Isso é gravíssimo.
Não é a oposição em panfleto.
Não é denúncia de rede social.
É uma iniciativa formal do Parlamento municipal pedindo apuração sobre dinheiro público.
O fantasma dos empréstimos volta ao plenário
A indicação joga luz sobre um tema que nunca saiu dos bastidores: os milhões dos financiamentos FINISA.
Obras anunciadas como vitrines da gestão passada hoje são alvo de questionamentos recorrentes:
* pavimentações contestadas;
* drenagens com problemas estruturais;
* intervenções chamadas por críticos de “obras sonrisal”;
* e o velho debate sobre os mais de R$ 140 milhões em empréstimos que seguem alimentando dúvidas e cobranças.
Agora, a própria Câmara sinaliza que quer saber:
Para onde foi o dinheiro?
Quanto foi pago?
O que foi realmente entregue?
Movimento com potencial explosivo
Nos corredores políticos, a leitura é clara:
A Indicação 057 pode ser embrião de algo maior.
Um comitê com MP, Tribunal de Contas e comissões legislativas pode produzir relatórios técnicos com desdobramentos administrativos, políticos e até judiciais.
Mais que um ato simbólico, a proposta carrega um recado:
há vereadores querendo transformar suspeitas em fiscalização formal.
E isso atinge diretamente o legado administrativo do ex-prefeito Diógenes Tolentino.
Fiscalização ou prenúncio de tempestade?
O trecho mais forte do documento talvez seja justamente o que fala em dar “celeridade ao processo de fiscalização junto ao Tribunal de Contas e Ministério Público”.
Quando o Legislativo começa a acionar esse vocabulário, o sinal amarelo já acendeu.
Quando se fala em pagamentos, atestos, obras e averiguação conjunta…
muitos enxergam fumaça
E onde há fumaça, a opinião pública quer saber se há fogo.
A pergunta que ecoa
Se está tudo regular, por que a necessidade de um comitê fiscalizador?
Se as obras foram entregues como pagas, o comitê apenas confirmará.
Mas se houver divergências…
Simões Filho pode estar diante de uma das mais delicadas investigações sobre obras públicas dos últimos anos.
E como diria a velha Rádio Peão, aquela que tudo vê e tudo ouve:
quando a própria Câmara resolve fiscalizar o FINISA, é porque o assunto deixou de ser rumor e entrou na pauta da história.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor: noreply@blogger.com (Unknown)
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

COMMENTS