Um simples ofício administrativo publicado pela Secretaria Municipal de Educação de Simões Filho acabou provocando uma série de questionamentos entre servidores públicos e a população.
O Ofício Circular nº 093/2026, assinado pela secretária municipal de Educação, Heliene Mota da Silva, determina que os gestores escolares somente atestem a frequência dos servidores quando houver efetiva prestação do serviço e cumprimento integral da carga horária, advertindo que informações falsas podem gerar responsabilização administrativa, civil e, quando cabível, penal.
À primeira vista, trata-se de uma orientação que reforça um princípio básico da administração pública: só recebe quem trabalha.
Mas, nos bastidores da cidade, a pergunta que ecoa é outra:
Por que somente agora esse rigor?
O documento aumenta as dúvidas
O ofício vai além de uma simples recomendação administrativa.
Ele deixa claro que diretores e gestores poderão responder caso atestem frequência de servidores ausentes ou que não estejam exercendo suas funções, ressaltando inclusive a possibilidade de danos ao erário.
Na prática, o documento reconhece que o controle da frequência precisa ser mais rigoroso, justamente em um momento em que a Prefeitura enfrenta questionamentos públicos sobre sua folha de pagamento.
Denúncias e investigações
O debate ganhou força após as declarações públicas de Alisson Ramos, que afirmou ter apresentado denúncia aos órgãos de controle envolvendo supostas irregularidades na folha de pagamento do município. Segundo ele, haveria servidores que receberiam remuneração sem a correspondente prestação de serviços.
Além disso, circulam informações de que órgãos competentes investigam denúncias relacionadas à utilização de recursos federais destinados ao pagamento de servidores da educação, incluindo alegações sobre possíveis servidores fantasmas e pagamento de gratificações supostamente irregulares. Até o momento, a existência dessas investigações não representa prova de irregularidade nem condenação de qualquer pessoa, e eventuais responsabilidades dependem da conclusão dos procedimentos oficiais.
Coincidência ou resposta administrativa?
A divulgação do ofício levanta inevitavelmente uma discussão.
Seria apenas uma medida preventiva para reforçar o cumprimento da legislação?
Ou a Secretaria de Educação estaria reconhecendo a necessidade de endurecer o controle interno diante das denúncias que vêm sendo apresentadas?
São perguntas que somente as investigações e os órgãos de fiscalização poderão responder.
Transparência é o melhor caminho
Se todas as frequências foram regularmente atestadas e todos os pagamentos ocorreram dentro da legalidade, a divulgação dos controles administrativos e a conclusão das investigações poderão esclarecer definitivamente o assunto.
Por outro lado, caso sejam identificadas irregularidades, caberá aos órgãos competentes apurar responsabilidades e adotar as medidas previstas em lei.
Enquanto isso, permanece a principal indagação feita por muitos moradores de Simões Filho:
O novo rigor representa apenas uma orientação administrativa ou revela a preocupação da gestão com denúncias que já chegaram aos órgãos de controle?
A resposta dependerá das apurações oficiais e da transparência que a administração pública oferecer à sociedade.
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