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O que é a doença de Newcastle, que teve foco identificado em Santa Catarina

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o registro de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A existência do foco foi confirmada no domingo (18).

A doença de Newcastle (DNC), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, com impacto sanitário e econômico severo na avicultura mundial. Caracterizada por manifestações respiratórias, nervosas e digestivas de rápida evolução, as linhagens mais agressivas podem levar à morte de até 100% das aves de um lote.

O ministério informou que o estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, com a suspensão da movimentação de aves. Além disso, a pasta esclareceu que medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

A doença é causada por variantes patogênicas do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), pertencente à família Paramyxoviridae. A severidade do quadro varia conforme a cepa viral, classificada em patótipos:

  • Velogênica: forma aguda e mais severa, subdividida em viscerotrópica (lesões hemorrágicas no trato digestivo) e neurotrópica (sintomas neurológicos predominantes), com altíssima taxa de mortalidade.
  • Mesogênica: virulência intermediária, causando distúrbios respiratórios e neurológicos moderados, com mortalidade relativamente baixa em aves adultas.
  • Lentogênica e entérica assintomática: causam infecções respiratórias brandas ou subclínicas; muitas dessas cepas atenuadas são utilizadas no desenvolvimento de vacinas.

Transmissão e sinais clínicos

A transmissão ocorre principalmente por via aérea, por meio de aerossóis e gotículas expelidas por aves infectadas, além do contato direto com fezes e secreções oronasais. A disseminação indireta também é comum via água, ração, calçados, roupas, veículos e equipamentos contaminados.

O período de incubação médio varia de 2 a 15 dias. Os principais sintomas incluem:

  • Respiratórios: tosse, espirros, estertores traqueais e respiração ofegante.
  • Nervosos: torcicolo (pescoço torcido), espasmos musculares, tremores, paralisia de asas ou pernas e andar em círculos.
  • Digestivos e gerais: diarreia aquosa e esverdeada, prostração, edema de cabeça e pescoço e inapetência.
  • Produtivos: queda abrupta na postura de ovos, além de ovos disformes, despigmentados ou com casca fina.

Prevenção, biosseguridade e notificação

A enfermidade não possui tratamento. Por ser classificada como uma doença de notificação compulsória imediata aos serviços veterinários nacionais e internacionais, a sua contenção depende de estratégias rígidas:

  • Biosseguridade: isolamento físico de galpões, controle restrito de trânsito de pessoas e veículos, desinfecção de instalações e telas antipássaros para evitar contato com aves de vida livre.
  • Vacinação: uso de vacinas vivas e inativadas conforme cronogramas sanitários aprovados pelas autoridades agrícolas de cada país.
  • Medidas de contenção: quando há foco confirmado, as propriedades afetadas são interditadas, com realização de sacrifício sanitário do plantel, descarte seguro de carcaças e vazio sanitário prévio ao repovoamento.

Risco à saúde pública

A doença de Newcastle é uma zoonose menor. Em humanos, ela não é transmitida pelo consumo de carne de aves ou ovos inspecionados. A infecção em humanos ocorre quase que exclusivamente pelo contato direto e desprotegido de trabalhadores e laboratoristas com secreções de aves infectadas, manifestando-se como uma conjuntivite transitória e branda.

Investigação

A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e confirmada por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP). 

O laboratório é reconhecido pela OMSA como de referência internacional para o diagnóstico da doença.

“O Mapa ressalta que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias para controlar a ocorrência, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”, disse o ministério.

O governo informou que notificou a OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária. 

O secretário-substituto de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Rafael Requião, disse que não recebeu qualquer informação sobre a suspensão das exportações brasileiras por conta do foco da doença.

“Ainda não temos nada objetivo a informar [sobre suspensão de exportações]”, afirmou.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor: fernandokeller

Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação

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