O Índice de Intenção de Consumo das Famílias avançou 1,1% em setembro, passando de 88,3 pontos em agosto para os 89,3 pontos
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,1% em setembro, passando de 88,3 pontos em agosto para os 89,3 pontos desta última coleta, este é o quinto crescimento seguido. A pesquisa também apontou que em relação ao mesmo período de 2021, o crescimento foi de 15,7%, quando naquele mês o indicador foi de 77,2 pontos conforme divulgou o Fecomércio-BA nesta quarta-feira (19).
A Fecomércio explicou que o ICF varia de 0 a 200 pontos. Entre 0 e 100 pontos é considerado um nível de insatisfação com as condições econômicas. Já o intervalo de 100 a 200 pontos aponta nível de satisfação. “Quanto mais próximo dos extremos, 0 e 200, maior o sentimento é pessimista/otimista”.
O consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, analisou que “as famílias de Salvador vão recuperando gradativamente as suas condições econômicas de forma que consigam aumentar a capacidade de consumo. Em relação ao ano passado, o que mais chama a atenção na pesquisa é a melhora na perspectiva profissional que quase dobrou, subiu 96,8%, ao passar de 59,9 pontos para os atuais 117,8 pontos, ou seja, a maioria dos entrevistados consideram que deve haver uma melhora profissional para o responsável pelo domicílio nos próximos 6 meses”, ressaltou.
A pesquisa constatou que o Emprego Atual fechou a 114,3 pontos, alta de 35,5% no contraponto anual. O recuo de 1,4% no comparativo mensal não preocupa, pois veio de duas altas seguidas.
“Os dados oficiais de emprego, do CAGED, comprovam que houve um ambiente mais favorável para geração de empregos. Tanto que ao longo deste ano foram abertas pouco mais de 30 mil vagas formais na capital baiana em todos os setores da economia. E se tem mais emprego, é natural que melhore o nível de satisfação com a renda”, esclarece Dietze.
Já a Renda Atual atingiu 99,3 pontos, o maior patamar desde o mês de abril de 2020. Ante setembro de 2021, houve aumento de 11,8% e 1,7% no contraponto mensal. Para o economista, “o avanço só não foi maior por conta da inflação alta que pesou este ano. Porém, com os preços começando a ceder, a tendência é que o item volte e se mantenha no patamar de satisfação nos próximos meses”.
O item Nível de Consumo Atual caiu 11,3% em relação a setembro de 2021 e volta aos 64,3 pontos. “Porém, quando o consumidor observa o cenário de médio prazo, nos próximos meses, há uma relativa melhora. O item Perspectiva de Consumo cresceu 13,4% ao passar de 87,1 pontos no mês de 2021 para os atuais 98,8 pontos”, disse Dietze.
Ainda segundo o levantamento, um ponto de destaque, para ser limitador de gastos, é o aumento dos juros. O item Acesso a Crédito, por exemplo, recuou 4,5% na comparação anual e retornou aos 93,5 pontos.” Há maior restrição na oferta de crédito neste ano em relação ao mesmo período do ano passado, não só pelo encarecimento dos empréstimos, mas pelo maior risco de inadimplência”, indicou a Fecomércio.
Com o cenário, de acordo com pesquisa, leva-se ao raciocínio das famílias não considerarem um bom momento para compras de bens mais caros, como geladeira, fogão, televisor etc. “O item Momento para Duráveis está com 37 pontos, queda anual de 25,5%. Esse é o pior patamar desde maio do ano passado, com 8 a cada 10 famílias dizendo ser um mau momento para aquisições desses tipos de produtos.
E na análise por faixa de renda, a maior variação foi para o grupo de famílias que ganha abaixo de 10 salários-mínimos, de 17,6% contra 3% do grupo de renda mais alta. No entanto, a pontuação ainda está bem diferente entre as faixas, com 86,1 pontos para o estrato mais baixo de renda e 123,4 pontos para o segundo”, mostrou pesquisa.
“De forma geral, os números vão de acordo com o cenário que a Fecomércio-BA tem traçado. Está havendo uma melhora nítida no emprego e que ajuda a recompor o poder de compra das famílias. Contudo, com os juros altos e o nível de inadimplência no maior patamar histórico, dificulta a transição, ou seja, do ganho de renda virar consumo na veia na economia”, esclareceu o consultor econômico da Federação, Guilherme Dietze.
Imagem: Reprodução/Fecomércio-BA



